O Orestes era um grande cara
O Orestes era um grande cara. Não que tenha morrido, mas faz muito tempo que não tenho contato com eles. Trabalhamos juntos numa agência de Curitiba. Aliás, trabalhamos juntos em duas. E a última vez que nos encontramos foi em São Paulo, numa noite de autografos no MIS e depois saímos para beber e comemorar. Ele estava sempre comemorando. Às vezes aparecia com um maço de notas de dinheiro que tinha acabado de tirar do banco e dizia: hoje não vai ter puta pobre na cidade, nem garçom sem gorjeta. Talvez porque ele levasse muito a sério aquela máxima de Zorba, o grego, que dizia que quando uma mulher dormir sozinha, todos os homens da cidade deviam morrer de vergonha, Orestes estava sempre caçando. E se dormia com alguma mulher feia, com um canhão, um dragão, nem tentasse zoar com a cara dele no dia seguinte. A resposta estava na ponta da lingua: Que isso, já comi piores pagando.


